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Roubando a cena



Enfim estrearam ontem pela Libertadores os dois times brasileiros mais badalados do momento e os de maior torcida: Flamengo (vitória por 2 a 0 diante do Universidad Catolica-CHI, no Maracanã) e Corinthians (2 a 1 em cima do Racing-URU no Pacaembu). O Cruzeiro também entrou em campo ontem, mas já em sua segunda partida na competição, e venceu o Colo Colo por 4 a 1, mostrando que o vice-campeonato do ano passado trouxe experiência à equipe, que entra como uma das grandes favoritas ao título.

No Flamengo, mesmo com Adriano e Vagner Love em campo, quem roubou a cena foi o lateral-direito Leo Moura, que marcou um gol de falta e deu uma assistência magistral para Adriano marcar o segundo gol. Pelo Corinthians quem se destacou foi o volante Elias, com dois gols, deixando Roberto Carlos e Ronaldo como coadjuvantes, apesar de que o Fenômeno fez jogadas que relembraram os velhos tempos. Só que como atacante vive de gols, isso não foi o suficiente para coroar a atuação do camisa 9.

A rodada de ontem mostrou que os personagens principais precisam de coadjuvantes, e que às vezes os coadjuvantes acabam se invertendo numa partida de futebol. Assim como para o sucesso de uma peça de teatro é necessário um bom elenco e não apenas os atores principais, no futebol não é diferente, e os principais jogadores precisam de bons companheiros, pois nem sempre estão inspirados para fazer a diferença.

Flamengo e Corinthians se diferenciam dos outros times brasileiros na Libertadores. Enquanto São Paulo, Internacional e Cruzeiro vêm de triunfos mais recentes na competição, com elencos sem estrelas, mas com jogadores de qualidade em cada posição, os dois times mais populares do País sofrem de uma pressão maior. O Flamengo não vence a competição sul-americana de maior prestígio desde 1981, quando conquistou seu único título e quer aproiveitar o embalo do título brasileiro para ter novamente um sucesso continental. O Corinthians, nunca passou das semifinais, e no ano de seu centenário, quer de qualquer maneira o único troféu que falta em sua galeria, ainda mais porque seus principais rivais já conquistaram a Libertadores.

Se sempre quando tiverem dificuldades, como ontem, Flamengo e Corinthians puderem contar com seus coadjuvantes para roubar a cena, se sentirão menos pressionados e terão grandes chances de vencer o campeonato. E claro, Cruzeiro, Internacional e São Paulo, como sempre, também entraram para brigar pelo título.


CRUZEIRO 4 X 1 COLO COLO

Local: Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte (MG)
Data: 24 de fevereiro de 2010, quarta-feira
Horário: 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Oscar Ruiz (COL)
Assistentes: Abraham González (COL) e Humberto Clavijo (COL)
Cartões amarelos: Diego Olate, Toro, Scotti, Cereceda e Magalhães (Colo Colo); Thiago Ribeiro, Henrique e Marquinhos Paraná (Cuzeiro)
Cartões vermelhos: Diego Olate e Cereceda (Colo Colo)
Gols: CRUZEIRO: Thiago Ribeiro, aos 7 minutos do primeiro tempo. Kléber, aos 15 e aos 26, e Pedro Ken, aos 22 minutos do segundo tempo; COLO COLO: Paredes, aos 36 minutos do primeiro tempo.

CRUZEIRO: Fábio; Jonathan, Thiago Heleno, Leonardo Silva e Diego Renan; Elicarlos (Pedro Ken), Henrique (Bernardo), Marquinhos Paraná e Roger (Wellington Paulista); Thiago Ribeiro e Kléber.
Técnico: Adilson Batista

COLO COLO: Prieto; Diego Olate, Toro, Scotti e Cereceda; Aránguiz, Meléndez, Millar e Macnelly Torres (Magalhães); Miralles e Paredes (Sanhueza).
Técnico: Hugo Tocalli







FLAMENGO 2 X 0 UNIVERSIDAD CATÓLICA

Local: Estádio Mário Filho (Maracanã), no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 24 de fevereiro de 2010, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Carlos Amarilla (Paraguai)
Assistentes: Nicolás Yegrosy (Paraguai) e Emigdio Ruiz Roa (Paraguai)
Cartões amarelos: Vagner Love (FLA); Francisco Silva, Ponce e Mena(UCA)
Cartões vermelhos: Willians (FLA); Milovan Mirosevic (UCA)
Gols: FLAMENGO: Léo Moura, aos 10 minutos do primeiro tempo; Adriano, aos 13 minutos do segundo tempo

FLAMENGO: Marcelo Lomba, Leonardo Moura (Éverton Silva), Fabrício, Álvaro e Juan; Willians, Toró, Kléberson e Vinícius Pacheco (Fernando); Vágner Love (Petkovic) e Adriano
Técnico: Andrade

UNIVERSIDAD CATÓLICA: Paulo Garcés, David Henríquez, Ponce (Mena) e Ismael Fuentes; Rodrigo Valenzuela, Francisco Silva, Hans Martínez, Milovan Mirosevic e Rodrigo Toloza (Mannara); Damián Díaz e Juan José Morales (Pablo Vranjican)
Técnico: Marco Antonio Figueroa







CORINTHIANS 2 X 1 RACING-URU

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data: 24 de fevereiro de 2010, quarta-feira
Horário: 21h50 (de Brasília)
Árbitro: Raúl Orosco (Bolívia)
Assistentes: Jorge Calderón e Juan Arroyo (ambos da Bolívia)
Público: 31.035 pagantes (total de 32.166)
Renda: R$ 2.181.742,00
Cartões amarelos: Jorge Henrique, Ronaldo, Roberto Carlos (Corinthians); Líber Quiñones, Darío Flores, Ignacio Pallas, Héctor Vega (Racing-URU)
Cartão vermelho: Darío Flores (Racing-URU)
Gols: CORINTHIANS: Elias, aos 10 minutos do primeiro tempo e aos 24 minutos do segundo tempo; RACING-URU: Martín Cauteruccio, a 1 minuto do primeiro tempo

CORINTHIANS: Felipe; Alessandro (Jucilei), Chicão, William e Roberto Carlos; Ralf, Elias, Tcheco e Jorge Henrique; Defederico (Souza) e Ronaldo
Técnico: Mano Menezes

RACING-URU: Jorge Contreras; Rodrigo Brasesco, Héctor Hernández, Ignacio Pallás e Danny Tejera; Héctor Vega, Santiago Ostolaza, Darío Flores e Matías Mirabaje (Diego Scotti); Martín Cauteruccio e Líber Quiñones (Jean Pierre Barrientos)
Técnico: Juan Verzeri





Libertadores surpreende

A tão sonhada taça da Copa Libertadores da América

O assunto principal desta semana no futebol brasileiro é sem dúvida a participação dos cinco times do país na Copa Libertadores. O Cruzeiro, atual vice-campeão (perdeu ano passado a final para o Estudiantes-ARG) já estreou, e com derrota, mas jogando na Argentina, contra o Velez Sarsfield, há duas semanas. Outro que já entrou em campo pela competição sul-americana dia 10 foi o São Paulo, que venceu no Morumbi o Monterrey-MEX. Ontem foi a vez do Internacional, que em casa bateu o Emelec-EQU)

Hoje entram em campo, no famoso horário das 21h50 (após a novela), o Flamengo, que enfrenta o Universidade Catolica-CHI no Maracanã em sua estreia, o Corinthians, que joga sua primeira partida contra o Racing-URU, no Pacaembu, e o Cruzeiro, já em seu segundo jogo, que pega o Colo Colo no Mineirão. O único que sai do Brasil esta semana é o São Paulo, que amanhã joga contra o Once Caldas, em Manizales, na Colômbia.

A Copa Libertadores nunca ganhou tanto os holofotes da imprensa brasileira quanto neste ano. Além do Brasil estar sendo representado por cinco grandes clubes, com grandes torcidas, os times contam todos com reforços de peso para a competição sul-americana, o que retrata o favoritismo dos brasileiros. Além disso, tradicionais rivais argentinos, principalmente Boca Juniors e River Plate, estão fora da disputa.

Corinthians e Flamengo possuem times mais talentosos e estão mais visados por possuírem jogadores mundialmente conhecidos como Ronaldo e Roberto Carlos no Parque São Jorge e Adriano na Gávea. Mas São Paulo, Internacional e Cruzeiro, sem grandes estrelas, mas recheados de bons jogadores, não ficam atrás.

Dos times brasileiros que disputam a Libertadores este ano, todos já conquistaram o título, com exceção do Corinthians, que entra mais pressionado, pois além de ter investido mais em contratações, seus rivais (Palmeiras, São Paulo e Santos) já venceram a competição.

Com cinco fortes equipes, acreditar que um representante do futebol brasileiro ficará com o título é natural. No entanto, a história da Libertadores prova que a competição pode surpreender, principalmente alguns jogadores mascarados, a imprensa ufanista e os torcedores. Citamos como exemplos recentes os títulos de Once Caldas-COL, em 2004, e LDU-EQU, em 2008.

Ao longo dos anos, a disciplina tática e o maior controle emocional são as principais vantagens dos rivais continentais em relação aos brasileiros. Sem contar que alguns adversários, além de conter esses diferenciais, tecnicamente também podem ser superiores, o que é difícil para o brasileiro admitir.

Portanto, saber reconhecer as armadilhas de uma competição como a Libertadores é fundamental. Pelo menos estamos vendo isso por parte dos técnicos e da maioria dos jogadores, o que já é um bom sinal, já que são eles quem decidem.

Boa sorte aos brasileiros e que tenhamos grandes jogos!