
O que se passa na cabeça de Dunga?
11 de maio de 2010. Enfim chegou um dos dias mais esperados do ano. Estamos há poucos instantes da divulgação da lista dos convocados para a Copa de 2010. Todos na expectativa do que Dunga dirá.
Ronaldinho Gaúcho, Neymar, Paulo Henrique Ganso, Roberto Carlos e alguns menos badalados são nomes comentados ultimamente para serem surpresas nessa lista.
Neste momento, 190 milhões de brasileiros que de um jeito ou de outro acompanharão a Copa estão na expectativa. Por um dia Dunga é mais importante até que o Presidente da República. Aguardemos.
O blog já manifestou sua opinião. Veja posts anteriores:
http://atuali-zc.blogspot.com/2010/04/selecao-brasileira-mudancas-sao.html
http://atuali-zc.blogspot.com/2010/04/neymar-e-ganso-na-selecao.html

No vídeo game o Brasileirão já começou. Adriano, que está na capa deste jogo, será que continua no Flamengo? O exemplo também serve para craques de outros times.
O Campeonato Brasileiro começa neste final de semana e a repercussão para a competição nacional de maior importância do futebol no país ainda é pequena entre jornalistas, torcedores e os próprios clubes. As atenções estão voltadas para as decisões da Libertadores e da Copa do Brasil e principalmente para a Copa do Mundo.
Alguns clubes pouparão seus principais jogadores nas rodadas iniciais do Brasileirão visando a conquista do título de maior prestígio do futebol das Américas ou do segundo torneio mais importante do Brasil, que dá vaga à Libertadores.
Além disso, é certo que muitos clubes perderão jogadores importantes ao longo da competição para o futebol europeu ou asiático. Assim, a equipe que estiver entrosada e bem na tabela pode ficar a ver navios e ser ultrapassada pelos concorrentes.
A princípio, como sempre, não há um ou dois principais favoritos, como acontece nas ligas europeias. Temos o Santos de Neymar, Paulo Henrique Ganso e cia., o Internacional, o São Paulo e o Cruzeiro, com seus brilhantes elencos e disputando o título da Libertadores, o Corinthians, buscando um prêmio de consolo após a eliminação na competição sul-americana, grande objetivo do clube no ano cujo alto investimento justifica o desejo que tinha pela conquista, além do Flamengo, atual campeão, que defenderá o título e está fortalecido após eliminar o Corinthians na Libertadores. Ainda aparecem com força o Grêmio, semifinalista da Copa do Brasil, o Atlético-MG, de Vanderlei Luxemburgo e o Fluminense, de Muricy Ramalho. Um pouco abaixo aparecem o Botafogo, de Joel Santana, o Vasco, retornando da Série B e o Palmeiras, tentando ressurgir das cinzas após no final do ano passado ter ido do céu ao inferno, onde ainda continua. Sem contar que sempre há surpresas e neste ano são grandes candidatos ao posto o Atlético-GO (em franca ascensão desde a Série C de 2008) e o Vitória, que estão nas semifinais da Copa do Brasil.
Mas de que adianta fazer prognósticos se além de o futebol ser imprevisível e absolutamente suscetível a surpresas, muitos jogadores desses outros clubes irão embora no andar da carruagem?
O Campeonato Brasileiro é um dos melhores do mundo, se não o melhor, pois em nenhum outro país há tanto equilírbio quanto aqui. Por isso é preciso que o calendário do futebol brasileiro seja readaptado e, de preferência, adequado ao calendário europeu - para onde vão a maioria dos jogadores negociados -, como já fez a Argentina há muito tempo, pois é frustrante para o torcedor saber que os principais jogadores de seu time podem ir embora justamente quando houver perspectiva de título.

Torcida do Corinthians incentivando a equipe no início do jogo. Mais de 35 mil pessoas foram ao Pacaembu
Acabou mais uma vez. O Corinthians não conseguiu seu grande objetivo de conquistar a Libertadores no ano de seu centenário. O título é mais do que cobiçado pela massa cortintiana e a expectativa por uma conquista desta vez era muito grande. O elenco foi reforçado com jogadores de peso. O time fez a melhor campanha da primeira fase. Quis o destino que o Flamengo, que chegou às oitavas-de-final cambaleante, fosse colocado em seu caminho. O clássico das duas maiores torcidas do Brasil era um teste que diria ao Timão se ele estaria ou não preparado para, enfim, tornar seu sonho realidade. Mas como disse o técnico Mano Menezes: "temos que aprender mais". E o Flamengo saiu vitorioso, com uma derrota por 2 a 1.
Isso mesmo. Como o regulamento da competição determina que o gol fora de casa tem mais peso, a derrota por 2 a 1 deu ao Flamengo a classificação, pois na primeira partida, no Maracanã, a equipe rubro-negra venceu por 1 a 0. A única vantagem do Corinthians, portanto, foi poder decidir a vaga em casa. Não adiantou ser o melhor time da primeira fase. O péssimo desempenho do Flamego na primeira fase em nada afetou o time do "Império do Amor". Mas todos os times que entram na Libertadores devem saber que não há vantagem nos mata-matas.
O Flamengo venceu a primeira em casa e entrou tranquilo na partida, jogando a pressão para o Corinthians. Tão tranquilo que apenas assistiu à partida no primeiro tempo e viu os donos da casa fazerem 2 a 0, com Danilo e Ronaldo. Mas logo no início da segunta etapa os rubro-negros jogaram o desespero para o lado corintiano mais uma vez com o gol de Vagner Love.
Assim, o Corinthians não conseguiu o gol que lhe daria a classificação. A torcida foi da alegria no primeiro tempo à apreensão, incentivando o time com menos intensidade. O Corinthians tentou até o último minuto, mas não deu de novo. Bruno defendeu um chute de Chicão nos minutos finais e como a torcida alvinegra queria ter ido ao delírio naquele momento...
O apito final decretou mais um fracasso corintiano na competição sul-americana de maior prestítgio e a apreensão deu lugar à tristeza. Mas a fiel reconheceu o empenho do time e aplaudiu os jogadores. O sonho foi mais uma vez adiado, mas não acabou.
O problema foi que um mal maior do que qualquer derrota aconteceu: a tristeza deu lugar à revolta a alguns elementos. Temia-se a violência em caso de derrota corintiana, mas não teve jeito e, como sempre, alguns bandidos fantasiados de torcedores entraram em conflito entre si e contra a polícia nas imediações do estádio. Famílias que saíam do estádio entraram em desespero. Crianças choravam. Cenas das mais absurdas barbáries. Para variar, os elementos presos foram soltos horas depois.
Até que um próximo confronto dentro de campo vire outro confronto fora dele... e assim caminha o futebol brasileiro, sede da Copa de 2014.
Elias chora derrota de sua equipe. Vagner Love o consola.
Tumulto nas imediações do Pacaembu

Rogério Ceni, herói mais uma vez, espera que Fernandão reforce o elenco tricolor para a sequência da Libertadores.
Um 0 a 0 que teimava em atormentar o São Paulo e causar à torcida o mesmo pesadelo de 2004, quando a equipe do Morumbi foi eliminada da Libertadores pelo Once Caldas-COL, que jogava da mesma forma do adversário de ontem, numa retranca intranspovível. Com 11 atrás, o Universitario-PER, ciente de suas limitações técnicas, tinha o objetivo de levar o jogo para os pênaltis e seguir com a mesma estratégia que rendeu o título do maior torneio continental à equipe colombiana seis anos atrás. Quis o destino que desta vez fosse diferente.
O time peruano cumpriu boa parte do que pretendia, até Rogério Ceni voltar a ser Rogério Ceni. O maior ídolo da história tricolor não vinha em boa fase. Nesta temporada tem falhado em algumas partidas e sido alvo de críticas da imprensa e da torcida - claro que, pela sua história, com muito mais respeito que o restante da equipe e principalmente o técnico Ricardo Gomes.
Nas penalidades o Universitario abriu a série e marcou. A primeira penalidade do São Paulo foi cobrada por Rogério Ceni. E ele perdeu. O desespero acometeu os mais de 40 mil são-paulinos presentes no estádio e em qualquer lugar do Brasil. O grande ídolo da torcida, líder do elenco e praticamente dono do time perder o pênalti... Parecia que o mundo ia por água abaixo.
Mas de Rogério Ceni não se duvida e mais uma vez brilhou sua estrela de vitória e superação. Logo após desperdiçar sua cobrança o camisa 1 tricolor pegou dois pênaltis e viu um chute ir para fora. Do inferno ao céu em poucos minutos, Rogério Ceni levou o São Paulo a mais uma classificação.
Agora o time aguarda por Fernandão, mais um jogador de muita experiência, para contribuir com Ceni na liderança do elenco, com o objetivo de tornar o time melhor para a disputa das quartas-de-final, já na próxima semana, contra Cruzeiro - algoz do São Paulo na última edição - ou Nacional-URU.
De qualquer forma, independente do adversário, é preciso jogar muito mais bola para continuar sonhando com o tetra da Libertadores. A equipe precisa melhorar. E logo. Por isso a chegada de Fernandão para comandar o ataque é considerada imprenscindível pela diretoria e por Rogério Ceni.
São Paulo faz proposta hoje ao Goiás para trazer Fernandão ao Morumbi

Paulo Henrique Ganso, o maestro dos Meninos da Vila
Logicamente, pela campanha excelente, o Santos mereceu a conquista do Campeonato Paulista. O time teve o melhor ataque da competição desde 1996, com média de 3,13 gols por partida. Foram 72 gols no total. Além disso, a arte esteve presente neste time e muitos dos gols tiveram uma plasticidade que não se via há muito tempo no futebol brasileiro. O título coroou o time que resgatou o futebol arte.
No entanto, nesta final, somando-se os dois jogos, o Santo André foi melhor e o Santos, quando esperava-se que fosse consolidar seu magistral futebol apresentado até então, foi envolvido por uma equipe taticamente muito bem armada e que também contou com jogadores de muita criatividade. O futebol do Santo André teve beleza e eficiência e deixou muitos de queixo caído. No placar agregado das duas partidas houve um empate em 4 a 4. Não fosse pela campanha o Santos correria sérios riscos de perder o título na prorrogação ou nos pênaltis.
O Santos não aguentou o Santo André na bola. Teve que fazer cera, segurar a partida, pois a falta de maturidade de quem não se esperava, como dos experientes Leo, Marquinhos e Roberto Brum, expulsos tolamente, prejudicou extremamente o time da Baixada. A maturidade, então, ficou por conta dos garotos Paulo Henrique Ganso e Neymar que mais uma vez fizeram a diferença.
Enquanto Neymar marcou dois belos gols, Paulo Henrique Ganso, que deu uma passe antológico de calcanhar no segundo gol, foi o grande mentor do time. O camisa 17 - ontem não jogou com a 10, pois Giovanni, seu conterrâneo que foi relacionado para a partida para comemorar o título, estava no banco - teve uma atitude jamais vista ou muito rara no futebol. Após a expulsão de Roberto Brum o técnico Dorival Junior chamou desesperadamente o zagueiro Bruno Aguiar para recompor o sistema defensivo. O escolhido para sair seria Paulo Henrique Ganso. Seria, pois o craque santista, bateu no peito e disse: "Eu não. Daqui não saio. Deixa pra mim que eu seguro lá na frente" e com isso saiu André, que entrara no lugar de Robinho, que aliás até o momento é um mero coadjuvante no time dos Meninos da Vila.
Mais uma vez Dunga teve provas de que será uma grande besteira deixar de fora Neymar e Paulo Henrique Ganso. Eles marcam gols, dão belos dribles e passes, sem se intimidar com as caras feias e broncas dos zagueiros.
No confronto em que os experientes jogaram mal e foram inocentes e o técnico não teve pulso para manter o 4-3-3 - esquema que vinha fazendo do Santos o melhor time do Brasil - os meninos tiveram que virar homens e fazer a diferença, segurar a bronca.
O Santo André mostrou que o Santos não é tão imbatível assim. Dorival Junior tem lições a tirar deste confronto. A principal delas é que ele não deve fazer do time que estava encantando um time comum. Na quarta-feira a equipe enfrenta pela Copa do Brasil em casa o Atlético-MG, campeão mineiro, comandado por Vanderlei Luxemburgo, que mesmo tendo feito um trabalho ruim no Santos no ano passado, conhece o time, e que na primeira partida em Belo Horizonte venceu por 3 a 2. Se o Santos for o mesmo da final do Paulistão, corre grandes riscos de ser eliminado.
